Trabalho justo e seguro  Trabalho digno e seguro para todos

Acreditamos que condições de trabalho justas e seguras devem ser a norma para todos os trabalhadores da indústria têxtil, e não apenas para aqueles que trabalham nas fábricas dos nossos fornecedores. É por isso que usamos a nossa influência para capacitar toda a nossa rede de fornecimento, buscando tornar padrão as boas práticas e criar convergência com as iniciativas de diversas partes interessadas e de vários stakeholders. Somos uma das primeiras empresas de roupas a instituir um Código de Conduta para Fornecedor em 1995, e temos cultivado relacionamentos de longo prazo com muitos dos nossos fornecedores para estabelecermos confiança.

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Os eventos neste ano destacaram como é importante continuarmos a encontrar e erradicar práticas tais como excesso de hora extra, subcontratação não declarada, salários baixos ou restrições à liberdade de associação. Definimos os quatro maiores desafios enfrentados pelos nossos fornecedores e criamos estratégias de engajamento de longo prazo para cada desafio. Trabalhamos em parceria com outras organizações líderes e ONGs para encorajarmos mudanças em toda a indústria.

Compromisso entre o trabalhador e o fornecedor

Proteção dos mais vulneráveis

Parcerias da C&A que atuam em benefício do trabalho justo e seguro

Colaboração ou parceriaDesdeFunção
FUNÇÃO FUNDAÇÃO
Action, Collaboration, Transformation2015Sócio-Fundador
Acordo de Bangladesh para
Segurança Predial e Combate
a Incêndio
2013Membro do Comitê Diretor
Sustainable Apparel Coallition2010Sócio-Fundador/Presidente do Conselho
FUNÇÃO CONSULTIVA
Human Rights Watch ­Transparency Pledge2017Signatária
Dutch Covenant2016Membro
Pacto Global da ONU2015Signatária
SAC Social & Labour Convergence Project2016Membro
Parceria para Têxteis Sustentáveis (Textilbündnis)2015Membro
CCR CSR2015Membro
Ethical Trading Initiative (ETI)2012Membro
Fórum para o Futuro2012Membro
Programa Global de Compliance Social2008Membro

Nossas quatro maiores questões trabalhistas

Quatro questões trabalhistas complexas que exigem compromisso de longo prazo

Ao longo de vários anos temos identificado quatro desafios prioritários que afetam significativamente as condições de trabalho na nossa rede de fornecimento. Essas questões são complexas e geralmente inter-relacionadas com os contextos únicos dos diversos países dos quais obtemos os nossos produtos. Por causa disso são necessários tempo, ação coletiva, influência e parcerias para fazermos mudanças sustentáveis.

Desde o ano passado, o nosso foco vem sendo capacitação, lidar com questões nas quais as nossas decisões de negócio têm o maior impacto e identificar áreas de convergência com outros parceiros da indústria. Também começamos a observar mais atentamente as nossas próprias práticas de compra, para analisarmos as melhores abordagens e, consequentemente, alcançarmos os melhores resultados. Esses desafios não estão em nenhuma ordem específica de importância.

Desafio 1 – Segurança Predial e Combate a Incêndio

Desafio 2 – Liberdade de Associação

Desafio 3 – Produção não Declarada

Desafio 4 – Horas de Trabalho e Remuneração

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Desafio 1: Segurança Predial e Combate a Incêndio

Capacitação em segurança de instalações elétrica, predial e de combate a incêndio

A falta de precauções de segurança contra incêndio nas unidades de produção de roupas custou a vida de milhares de pessoas em Bangladesh nos últimos 10 anos. A existência de um ambiente de trabalho saudável e seguro é um direito fundamental de todos os trabalhadores. O nosso Código de Conduta do Fornecedor prevê exigências rígidas para construção de edifícios, proteção contra incêndio e prontidão para emergências, exigências essas que aprendemos a partir do nosso trabalho com o Acordo de Bangladesh sobre Segurança Predial e Combate a Incêndio. Embora mantenhamos a condição de marca líder na remediação de questões de segurança predial e combate a incêndio em Bangladesh, aplicamos o mesmo nível de rigor em todas as fábricas e em todos os países fornecedores globalmente.

Desafios

Lacunas significativas na área de educação

Segurança predial e combate a incêndio são tópicos complexos com aspectos técnicos e de engenharia que estão além do conhecimento interno de uma fábrica de roupas. Precisamos estabelecer parcerias para que os muitos de nossos fornecedores cumpram essa norma, o que leva a ações significativas no nível das fábricas. Por exemplo, educação e reciclagem da mão de obra e a readequação de locais para instalação de componentes resistentes ao fogo. Essas reciclagens são geralmente dispendiosas ou requerem alocações de recurso e tempo significativos para concluí-las.

Disponibilidade de componentes de segurança e combate a incêndio

Muitos dos Planos de Ação de Corretiva requerem a instalação de componentes especiais de segurança e combate a incêndio, tais como portas corta-fogo certificadas. Em muitos casos, há limitações quanto à disponibilidade de equipamentos aprovados nos países fornecedores e de profissionais de instalação e reparo com a capacitação técnica adequada. Esse desafio pode geralmente levar a atrasos na implementação de ações corretivas.

Níveis de experiência

É necessário treinamento prático avançado e/ou formação em engenharia para avaliar essas questões em fábrica. Muitos dos países fornecedores não contam com profissionais especializados para dar suporte no desenvolvimento do plano de identificação e remediação, o que exige a contratação de consultores de alto custo para a prestação desse serviço.

Como estamos respondendo

Suporte aos nossos fornecedores

Criar um alto padrão de segurança contra incêndio exige um esforço significativo tanto de nossa parte quanto dos nossos fornecedores. Trabalhamos com eles para entendermos as implicações das novas exigências e prestar-lhes apoio conforme eles implementam as melhorias necessárias. Com a nossa contribuição, as fábricas podem ter acesso às ferramentas e habilidades necessárias para implementarem sistemas de gestão e programas de segurança predial e combate a incêndio. Também avaliamos a capacidade de implementação de mudanças dessas fábricas do ponto de vista de recursos ou de capital. Quando há necessidade de suporte financeiro, criamos as conexões necessárias.

Auditoria

O nosso Código de Conduta para Fornecedor foi atualizado em 2015 para incluir outras exigências extensivas de segurança predial e combate a incêndio ao longo da nossa rede de fornecimento. Vistoriamos todas as nossas fábricas e exigimos que tenham a documentação legal válida para cada um dos seus prédios, inclusive dormitórios, cantinas e depósitos. Como uma das primeiras marcas a aplicar as normas aprendidas com nossa experiência em Bangladesh, assumimos seriamente a reponsabilidade de ajudar os nossos fornecedores nessas melhorias. A documentação legal é verificada e os prédios passam por inspeções de segurança regulares para assegurar que as melhorias sejam implementadas de acordo com o mais alto padrão.

Documentação legal

Os fornecedores da C&A também são obrigados a manter seguros adequados que cubram os trabalhadores contra quaisquer lesões, acidentes ou morte. Essa exigência é aplicável a todo o trabalho realizado no local e deve também, quando estipulado por lei, incluir empreiteiros, trabalhadores temporários e trabalhadores em regime de meio período.

Estudo de caso

Melhorando a segurança predial e o combate a incêndio em Bangladesh

Faz quatro anos que o Rana Plaza desmoronou em Bangladesh, levando à morte de mais de 1.100 trabalhadores da indústria de vestuário.

A C&A foi uma das primeiras marcas a assinar o Acordo de Bangladesh com 220 marcas, sindicatos internacionais e ONGs, como resposta ao desastre. O Acordo é um contrato legalmente vinculativo e independente, elaborado para criar em Bangladesh uma indústria saudável e segura de roupas prontas para uso. O Acordo visa criar um ambiente de trabalho no qual nenhum trabalhador precise temer incêndios, desmoronamentos de prédios ou outros acidentes que poderiam ser prevenidos por meio de medidas de saúde e segurança, bem como assegurar o direito de recusar trabalhos que não sejam seguros. Temos desempenhado um papel ativo no comitê diretor desde a sua criação.

Desde 2013, as fábricas de corte e costura de todos os 137 fornecedores da C&A em Bangladesh são inspecionadas, e foram desenvolvidos Planos de Ação Corretiva para cada uma delas. Devido aos aspectos altamente técnicos e complexos das ações corretivas, desenvolvemos uma equipe sólida em Bangladesh, com experiência técnica para prestar suporte em remediações. Também realizamos sessões de treinamento, nas quais os engenheiros do Acordo compartilham o seu conhecimento com os fornecedores.

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Até agora, 86% dos problemas identificados no curso das operações da C&A foram corrigidos, um aumento em relação aos 83% em 2015. Todos os Planos de Ação Corretiva estão agora em processo de remediação, em comparação a 2015, quando 17% estavam ainda pendentes*. Estamos satisfeitos por nos encontrarmos entre as marcas líderes na execução dessas medidas corretivas em Bangladesh. A nossa meta é concluir todas as medidas corretivas em 2017.

* Os dados oficiais do Acordo podem variar, pois as marcas precisam verificar as ações corretivas para que seus números alcancem gradativamente os nossos.

LEIA MAIS NO SITE DO ACORDO

 

Suporte adicional às vítimas do incêndio de Tazreen

Continuamos profundamente entristecidos pela perda de vidas e pelos ferimentos causados pelo trágico incêndio na Tazreen Fashion em Bangladesh, fábrica fornecedora da C&A Brasil, em novembro de 2012. Após o incêndio, a C&A Foundation prestou suporte financeiro imediato às famílias das 112 pessoas mortas e constituiu um fundo para prestar suporte contínuo aos 49 dependentes adultos. Trabalhando com a Caritas Bangladesh, a C&A Foundation criou um programa de reabilitação para ajudar os sobreviventes a encontrarem um novo caminho para suas vidas. A C&A Foundation também lançou o Tazreen Claims Administration Trust (TCA) com a Clean Clothes Campaign e a IndustriALL Global Union em 2015, para ajudar os sobreviventes e as famílias das vítimas a ter acesso adequado à indenização.

O TCA concluiu o seu trabalho em 2016, pagando todas as indenizações às vítimas do incêndio. Um total de aproximadamente US$2,17 milhões foi pago a todas as famílias impactadas e aos trabalhadores feridos no incêndio.

Leia mais sobre os resultados do TCA aqui

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Desafio 2: Liberdade de associação

Viabilizando a organização do trabalhador e a negociação coletiva

A organização do trabalhador e a negociação coletiva são fundamentais para melhorar as condições de trabalho em toda a rede de fornecimento de produtos e nos nossos países fornecedores. A liberdade de associação continua a ser um foco importante da nossa estratégia de amplificar a voz dos trabalhadores, encorajar um diálogo com a administração e aumentar o desempenho das fábricas dos nossos fornecedores em geral.

Desafios

Superando restrições legais

Alguns países, como a China, restringem a negociação coletiva por lei. Nesses casos, esperamos que os nossos fornecedores ajudem os trabalhadores a estabelecer formas alternativas de negociação e representação trabalhista. Também esperamos que os nossos fornecedores estabeleçam, implementem e comuniquem um mecanismo de reclamações que seja aceitável, previsível, equitativo, transparente, que assegure os direitos, que seja confidencial e fundamentado em compromisso e diálogo para resolverem conflitos internos e reclamações dos trabalhadores. A liberdade de associação é testada como parte do nosso processo de auditoria e prevê tolerância zero a violações.

Incidentes

Em 2016, detectamos três casos em que a liberdade de associação não foi respeitada na nossa rede de fornecimento. Desses três casos, dois foram constatados no Camboja e um na Turquia. Para remediar esses incidentes, as nossas equipes locais, com o apoio do time Global de Sustentabilidade e Sustainable Supply Chain (SSC), trabalharam em estreito relacionamento com os nossos fornecedores, os representantes dos trabalhadores e os sindicatos de comércio internacionais para tratar essas questões individualmente. Dois dos casos foram resolvidos de forma consensual entre os trabalhadores, a administração e os sindicatos dos trabalhadores. Um caso continua pendente até a data de publicação deste relatório.

Como estamos respondendo

Resolução justa

Quando problemas de liberdade de associação são descobertos por meio de auditoria, de alegações de sindicatos, de greves ou do Canal Aberto de denúncias, tomamos medidas decisivas para trabalharmos com os grupos apropriados com o intuito de resolvermos o problema, assegurarmos tratamento justo aos trabalhadores e implementarmos as medidas de salvaguarda necessárias para evitarmos sua reincidência. Quando necessário, daremos apoio à readmissão de trabalhadores demitidos injustamente ou solicitaremos indenização ou suporte.

Leia mais sobre os nossos valores e sobre o Canal Aberto

Estudo de caso

GoodWeave: Combate ao trabalho infantil e a outros abusos nas redes de fornecimento de roupas bordadas

Peças de roupas bordadas à mão são uma das principais contribuições da Índia ao mercado de roupas global. Os trabalhadores em geral exercem as suas atividades em casa, o que dificulta o monitoramento das condições de trabalho. O trabalho em domicílio é permitido na nossa rede de fornecimento apenas se os fornecedores seguirem as Diretrizes da C&A para o Uso de Trabalhadores em Domicílio, que são adaptadas às diretrizes da Ethical Trading Initiative (ETI).

Neste ano, a C&A Foundation e a C&A deram início a um projeto para erradicar o abuso aos direitos trabalhistas e aos direitos humanos na rede de fornecimento de peças de roupas bordadas.

A ONG GoodWeave imagina um mundo no qual todas as crianças vão para a escola e não para o trabalho e no qual os adultos têm direitos, dignidade e oportunidades no local de trabalho. Ela tem tido sucesso em sua meta: o trabalho infantil na indústria tapeceira do Sul da Ásia caiu aproximadamente 80% desde que as suas atividades começaram no local. A eficiência do seu trabalho fundamenta-se na implementação de um sistema de rastreamento, que monitora a norma e melhora a infraestrutura social nas comunidades de trabalhadores em domicílio.

Junto à C&A Foundation, comissionamos um projeto-piloto de dois anos com a GoodWeave em Uttar Pradesh, na Índia. As metas consistem em encontrar uma abordagem para a indústria de roupas tão bem-sucedida quanto o modelo da indústria tapeceira, com fornecedores totalmente engajados; dar apoio educacional àqueles que forem muito novos para trabalhar; e assegurar que todos os adultos estejam trabalhando em condições justas e seguras. O projeto-piloto atual é aplicado a três produtores de roupas em cinco comunidades, dando apoio a 7.500 trabalhadores em domicílio e 6.000 crianças dentro e fora das redes de fornecimento da C&A.

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Impacto

Os programas da Child Friendly Community (CFC), que asseguram que as crianças estejam matriculadas em escolas, agora estão estabelecidos em três comunidades do projeto na Índia: Kanwara, Tilbegumpur e Jaee. Quando isso não é possível, as crianças são matriculadas em escolas comunitárias, conhecidas como Motivation and Learning Centres (Centros de Aprendizado e Motivação, ou MLCs), para ajudá-las a alcançar o padrão de que precisam e, consequentemente, matricularem-se em escolas do governo ou privadas. Em janeiro de 2017, 750 crianças frequentavam os Centros de Aprendizado e Motivação e 243 crianças estavam matriculadas na escola.

Existem alguns desafios para assegurar o apoio dos fornecedores nas comunidades do projeto. Portanto, o piloto foi expandido aos trabalhadores fora das comunidades do projeto, que serão o foco em 2017. A GoodWeave também iniciou o seu trabalho de desenvolvimento de normas e está aprimorando a estrutura da sua norma original. Análises no projeto-piloto foram conduzidas no início de 2017.

O projeto-piloto já está lançando olhar sobre as dificuldades econômicas enfrentadas pelos trabalhadores em domicílio; entretanto, assegurar o acesso a todas as nossas redes de fornecimento continua a ser um grande desafio. Similarmente à indústria tapeceira, os fornecedores são mais engajados e o mapeamento obtém mais sucesso quando as diversas marcas se unem para encorajar a participação e a transparência. A GoodWeave convidou outros produtores de roupas e outras ONGs para participar, e está atualmente discutindo o assunto com várias marcas líderes bastante conhecidas. Neste ano, Giuliana Ortega, diretora-executiva do Instituto C&A, braço da C&A Foundation no Brasil, visitou o projeto na Índia, o que a inspirou para começar o trabalho de replicação do projeto no Brasil.

Os resultados da abordagem à solução de problemas são encorajadores, e estamos nos envolvendo com os trabalhadores em domicílio no seu ambiente residencial e nas suas comunidades, em vez de simplesmente trabalharmos com os seus empregadores diretos.

Leia mais sobre a nossa iniciativa com a GoodWeave e a C&A Foundation

Defendendo a representação dos trabalhadores

O nosso Código de Conduta para Fornecedor requer que os nossos fornecedores adotem uma atitude colaborativa e aberta com relação à representação de trabalhadores, permitam a constituição ou a participação em sindicatos da própria escolha desses trabalhadores e a negociação coletiva. Em 2015, as fábricas de três dos nossos fornecedores no Camboja conduziram um piloto do programa Dialogue for Change. O programa visa melhorar o diálogo entre administradores e trabalhadores e oferecer aos trabalhadores meios para que eles levem problemas e reclamações à administração.

Leia mais sobre o programa de diálogo social no Camboja

Além disso, estamos participando da Iniciativa ACT, que acreditamos que desempenhará um papel fundamental para assegurar salários dignos nos países fornecedores por meio da criação de processos de negociação coletiva na indústria nacional.

 

Empoderando os trabalhadores

Os trabalhadores e a administração têm mais chances de apoiar coletivamente um ambiente de trabalho saudável quando há boa comunicação entre eles. Os trabalhadores precisam conhecer os seus direitos e responsabilidades e ter canais pelos quais possam apresentar as suas preocupações. A C&A está comprometida em ajudar os nossos fornecedores a oferecer aos trabalhadores meios eficientes e seguros para eles apresentarem suas preocupações e reclamações. Há 10 anos, o nosso canal de denúncias, o Canal Aberto, tem nos ajudado a identificar problemas que surgem em nossas lojas, centros de distribuição e escritório central ou na nossa rede de fornecimento. O nosso objetivo é apoiar a justiça e a transparência na nossa maneira de trabalhar com os nossos funcionários e fornecedores.

Leia mais sobre como empoderamos os trabalhadores aquie

Leia mais sobre os nossos valores

Mesas redondas sobre liberdade de associação no Camboja

Em 2016, a C&A realizou quatro mesas redondas sobre liberdade de associação, focando a criação de práticas de trabalho/administração saudáveis, envolvendo os principais stakeholders e um terço dos nossos fornecedores naquele país. Já vimos mudanças começarem a acontecer em decorrência dessas mesas redondas, inclusive os seguintes resultados:

  • Melhoria no conhecimento dos fornecedores sobre a legislação local.
  • Maior entendimento da função dos sindicatos.
  • Melhoria nos meios de tratamento de conflitos entre a administração e os representantes dos trabalhadores. 

 

Planejamos futuramente expandir essas mesas redondas com fornecedores para outros países fornecedores e incorporar outras melhores práticas.

Estudo de caso

Liberdade de associação no Camboja

Os últimos anos foram de agitação para a indústria de vestuário no Camboja. Os manifestantes tomaram as ruas e entraram em confronto com as forças de segurança, e líderes sindicais foram demitidos porque planejavam organizar greves.

Os sindicatos descreveram a repressão aos direitos dos trabalhadores pela administração das empresas e sanções severas contra a liberdade de associação. Em dezembro de 2014, a fornecedora Ginwin rescindiu ou suspendeu o contrato de trabalho de cinco líderes sindicais do Movimento Sindical dos Trabalhadores do Camboja (Cambodian Union Movement of Workers, ou CUMW) após uma greve violenta. Ouvimos relatos de que houve evidências de assédio a representantes sindicais e também que esses sindicados receberam pedidos para cessarem as suas atividades e participarem de um sindicato da própria empresa.

Apesar do assédio, os líderes sindicais continuaram a representar e a negociar coletivamente em nome dos seus associados. Como parte desse processo, o CUMW iniciou uma greve para negociar o aumento de benefícios. Após uma semana de greve, a Ginwin buscou aconselhamento jurídico e rescindiu ou suspendeu o contrato de trabalho dos líderes sindicais, o que é uma violação clara do nosso Código de Conduta.

Seguiu-se, então, um intenso processo de mediação envolvendo as partes, inclusive a OIT, a IndustriALL e um mediador local independente. Um acordo foi finalmente firmado em outubro de 2016, destacando-se as seguintes cláusulas:

  • Retirada de todos os processos judiciais pendentes contra os cinco trabalhadores.  
  • Pagamento retroativo de todos os salários perdidos.
  • Pagamentos integrais aos cinco trabalhadores por impossibilidade de readmiti-los.

 

Além disso, a IndustriALL e a C&A decidiram monitorar conjuntamente a implementação das normas internacionais de trabalho no Camboja. Como primeiro passo, a Ginwin participará de um Programa de Relações Industriais, cujo objetivo é dar mais voz aos trabalhadores e assegurar o cumprimento do Código de Conduta da C&A em termos de liberdade de associação e negociação coletiva.

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Desafio 3: Produção não declarada

Prevenção da produção não autorizada

Embora nem sempre detectada, na opinião da C&A, a produção não autorizada ocorre quando identificamos uma unidade de produção que não tenha sido previamente aprovada para essa finalidade. Como não podemos verificar se a fábrica está alinhada ao nosso Código de Conduta e às nossas exigências sociais e ambientais, isso constitui uma violação grave. Exigimos que cada Unidade de Produção nova seja auditada e atenda às exigências do nosso Código de Conduta antes de receber pedidos.

Desafios

A detecção de produção não declarada requer vigilância contínua devido à complexidade da rede de fornecimento global. Essa é uma das razões pelas quais divulgamos informações sobre as nossas fábricas de primeiro e segundo níveis. Ao sermos transparentes sobre onde os nossos produtos são produzidos, podemos estabelecer um compromisso com os nossos fornecedores de identificar o uso de produção não declarada.

Em 2016, detectamos 13 casos de subcontratação não divulgada e um caso de trabalho em domicílio não autorizado na nossa rede de fornecimento. Por considerarmos essas violações graves, sanções foram aplicadas aos fornecedores ou às fábricas em diversas situações. Em todos os casos, uma investigação minuciosa foi conduzida e um plano de ação corretiva foi implementado com o fornecedor e as nossas equipes internas.

Leia mais sobre como classificamos os nossos fornecedores e o nosso compromisso de transparência

Consulte a nossa lista de fornecedores aqui

Como estamos respondendo?

Expectativas claras e consequências graves

Se uma produção não autorizada for identificada, SSC e as equipes de qualidade avaliam a situação e a unidade de produção. Pelo fato de as circunstâncias por trás dos casos serem, às vezes, complexas, a equipe investiga minuciosamente a situação e as intenções e utiliza um processo sistemático para determinar as consequências.

Processo de três medidas

Em 2016, lançamos uma política de três medidas para mitigar o risco de unidades de produção não declaradas, sendo uma dessas medidas referente ao trabalho em domicílio. Adicionalmente, se um item de tolerância zero for constatado na inspeção, o fornecedor poderá ter o seu contrato suspenso por 12 meses ou rescindido, dependendo dos resultados da investigação. De maneira simples, se uma produção não declarada for detectada e a Unidade de Produção atender às exigências do nosso Código de Conduta e às normas de qualidade, o fornecedor receberá uma advertência na primeira ocorrência, o que pode levar à suspensão do contrato por 12 meses ou à rescisão do contrato após a terceira ocorrência. Em todos os casos, se um item de tolerância zero for detectado na unidade de produção não declarada, o fornecedor terá o seu contrato suspenso por 12 meses.

Para estabelecer responsabilidade e entendimento das exigências relativas à subcontratação não divulgada, toda a nossa base de fornecimento é informada a esse respeito e temos diálogos regulares sobre o assunto durante o nosso processo de auditoria.

Desafio 4 – Horas de trabalho e remuneração

Trabalhando para viver

Para os trabalhadores da indústria de vestuário em mercados como o de Bangladesh, uma longa semana de trabalho pode ser normal: reconhecemos os diversos fatores que podem fazer com que isso aconteça e estamos trabalhando para mudar as práticas e assegurar que todos trabalhem no máximo 60 horas por semana, ou menos. O nosso Código de Conduta para Fornecedor estipula que as horas de trabalho não podem exceder 60 horas em qualquer período de sete dias, exceto em circunstâncias imprevisíveis e verdadeiramente excepcionais. Além disso, os trabalhadores precisam receber remuneração justa pelo trabalho que desempenham.

Por meio de treinamento de fornecedor e auditorias regulares, nossos parceiros fornecedores tomam ciência da exigência de cumprirem as leis nacionais, os acordos coletivos de trabalho e os elementos do código-base da ETI a respeito do número máximo de horas de trabalho, do pagamento de hora extra e dos dias de descanso. Eles também ficam cientes da necessidade de remunerar tempestivamente os trabalhadores pelas horas extras. Para manter um ambiente de trabalho confortável e seguro, os trabalhadores também devem ter intervalos de descanso, pelo menos um dia de folga a cada período de sete dias e ser elegíveis aos feriados oficiais. Para detectar e tratar possíveis violações dessas exigências, os nossos fornecedores avaliam, reduzem e monitoram regulamente os perigos no local de trabalho de forma a mitigar os riscos de lesões que estão especificamente relacionadas a longas horas de trabalho.

Leia mais sobre como classificamos os nossos fornecedores

Desafios

De acordo com a nossa experiência, reconhecemos que as nossas práticas de fornecimento e compras podem afetar o modo como os nossos fornecedores planejam a produção e podem ter significante impacto nas horas de trabalho. Mudanças de última hora em um design, na produção ou nos prazos de entrega podem inadvertidamente potencializar essa questão. Observamos também que os fornecedores podem não planejar a produção adequadamente, fazendo com que os funcionários enfrentem desafios com relação à entrega de pedidos no prazo. Outros fatores como trabalhadores que precisam obter remuneração adicional para sustentar as suas famílias, bem como situações em que a administração da fábrica pode intencionalmente prestar declaração falsa sobre as horas de trabalho para evitar impactos nos negócios, tornam essa questão em particular bastante desafiadora. Por fim, a aplicação da lei salarial pelos governos locais geralmente inexiste, exigindo que as marcas realizem a maioria das verificações.

Há vários anos exigimos que os nossos fornecedores e as suas fábricas remunerem os trabalhadores com salários que sejam equivalentes ou superiores aos padrões praticados pela indústria e/ou o salário mínimo legal. Mesmo assim não é incomum constatarmos o não pagamento do adicional de horas extras. Os trabalhadores, em alguns casos, são remunerados por produtividade – pelo número de peças que produzem – em vez do adicional de horas extras.

Como estamos respondendo?

Muitos trabalhadores querem ou precisam aumentar o seu salário; então, a redução nas horas de trabalho irá beneficiá-los apenas se os salários aumentarem para compensar a perda de horas. Portanto, embarcamos em uma jornada para identificar e superar as barreiras causadas por essas tensões, adotando uma abordagem de vários stakeholders com outras marcas e com a ACT Foundation para “Ação, Colaboração e Transformação”. A iniciativa da ACT busca aumentar os salários dos trabalhadores da indústria de vestuário promovendo acordos coletivos de trabalho aplicáveis ao setor como um todo em todos os países fornecedores mais importantes. No futuro, aplicaremos o processo ACT nas fábricas para aumentarmos sua eficiência e produtividade, compensando, pelo menos em parte, a redução nas horas de trabalho.

Monitoramento preciso e remuneração adequada

A transparência nas práticas de trabalho é extremamente importante, pois nos permite monitorar o desempenho ao longo da cadeia de fornecimento. Nos últimos três anos, enfatizamos a necessidade de transparência com os nossos fornecedores e as suas unidades de produção. Os fornecedores devem usar sistemas de registro de hora confiáveis, por meios dos quais todas as horas regulares, as horas extras e os intervalos sejam monitorados com precisão. Os desenvolvedores de fornecedores da área de SSC ajudam a administração da fábrica a entender essas exigências e trabalham com ela para assegurar a precisão desses registros.

 

Garantia de pagamentos e treinamentos apropriados

Sempre que for adotado o pagamento por peça, os fornecedores devem demonstrar que esses pagamentos são pelo menos equivalentes ao salário mínimo ou ao acordo coletivo em vigor. Essa norma é fundamentada por uma política oficial de salários e ordenados, que é comunicada aos trabalhadores por meio de manuais do funcionário, quadros de aviso, cartas, reuniões regulares ou outros meios. Os fornecedores também devem oferecer treinamentos a todos os trabalhadores e subcontratados. Essas medidas aumentam a transparência e empoderam os trabalhadores, e ao mesmo tempo nos ajudam a identificar os problemas mais facilmente.

Leia mais sobre o nosso programa de capacitação de fornecedor

Melhor planejamento para eliminar o excesso de horas de trabalho

Em dezembro de 2016, aprovamos um programa-piloto para resolver as causas-raiz do excesso de horas de trabalho com seis importantes fornecedores na China e em Bangladesh. Estamos incorporando elementos da ACT à nossa abordagem, visto que reconhecemos que o excesso de horas de trabalho ocorre por eficiência na produção, práticas de compras e reivindicação dos trabalhadores.

O objetivo principal desse programa é criar metas e planos de ação em parceria com os nossos fornecedores para eliminar o excesso de horas de trabalho e os baixos salários, e ao mesmo tempo aumentar a participação dos trabalhadores no diálogo entre administração/mão de obra e aumentar a eficiência na produção.

Estudo de caso

ACT: Garantia de salários dignos para os trabalhadores

A ACT (Action, Collaboration and Transformation) é composta por 18 marcas internacionais e pelo sindicato internacional de trabalhadores, a IndustriALL. Os seus membros são unidos por um objetivo em comum: assegurar salários dignos para os trabalhadores da indústria de vestuário, promovendo acordos coletivos de trabalho aplicáveis ao setor como um todo em todos os países fornecedores mais importantes. A C&A faz parte da ACT, como membro-fundador, desde a sua criação.

Para alcançarmos o nosso objetivo de salários dignos na produção de roupas, não podemos simplesmente pedir aos nossos fornecedores que paguem mais aos seus trabalhadores. A questão requer uma abordagem holística que lide com as causas-raiz e os seus desafios. Por essa razão, as marcas participantes da ACT focam os quatros elementos que podem impactar positivamente os resultados no nível da fábrica:

  • Estabelecer programas para negociações coletivas no setor como um todo– que podem aumentar a voz e a participação dos trabalhares e influenciar práticas e condições.
  • Definir e desenvolver práticas de compra responsáveis para a indústria têxtil e de vestuário – que podem levar a um melhor planejamento e previsão dos problemas que podem causar o excesso de horas de trabalho.
  • Desenvolver um programa complementar relativo a normas de manufatura de nível mundial – que podem aumentar a eficiência na produção e, consequentemente, reduzir as horas de trabalho necessárias.
  • Engajar ativamente os governos dos países nas conversas – para apoiar a defesa e os processos de revisão de salários nacionais. 

 


Na sua primeira fase de operação, a ACT concentra-se no estabelecimento de bases para a organização, desenvolvendo a sua plataforma estratégica e obtendo apoio de órgãos como a OIT e a ONU, de investidores e da sociedade civil. A segunda fase foca atualmente a entrega eficiente das metas coletivas e organizacionais.

Com a nomeação recente do diretor-executivo, seis grupos de trabalho foram criados nas áreas de: Estratégia, Práticas de Compra, Manufatura de Nível Mundial, Comunicações, Gestão Orçamentária e Camboja.

Em 2017, implementaremos esses quatro princípios em fornecedores selecionados por todas as marcas participantes no Camboja, em Myanmar, em Bangladesh e na Turquia.

C&A logo

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