Trabalho justo e seguro  Trabalho digno e seguro para todos

Acreditamos que condições de trabalho justas e seguras devem ser a norma para todos os trabalhadores da indústria de vestuário, e não apenas para aqueles que trabalham nas fábricas dos nossos fornecedores. É por isso que usamos a nossa influência para capacitar toda a nossa rede de fornecimento, buscando normalizar as boas práticas e criar convergência com as iniciativas de diversas partes interessadas e de vários stakeholders. Fomos uma das primeiras empresas de roupas a instituir um Código de Conduta para Fornecimento de Mercadoria em 1995, e temos cultivado relacionamentos de longo prazo com muitos dos nossos fornecedores para estabelecermos confiança.

A C&A obedece às Diretrizes da ONU sobre Empresas e Direitos Humanos. Estamos plenamente conscientes dos papeis e responsabilidades que temos como uma empresa. No ano passado, também incorporamos a Orientação da Due Diligence da OCDE para Redes de Fornecimento Responsável no Setor de Vestuário e Calçados para, de forma adequada, identificar, dar prioridade e administrar os riscos ao longo da rede de fornecimento. Esse exercício contínuo alinha o trabalho da C&A à Parceria Alemã para Têxteis Sustentáveis e ao Pacto l Holandês para Vestuário e Têxteis Sustentáveis.

Definimos os quatro principais desafios enfrentados por nossos fornecedores e criamos estratégias de engajamento de longo prazo para cada desafio. Estamos comprometidos em buscar soluções para erradicar práticas como horas extras e salários excessivos, terceirização não divulgada, combate a incêndio e segurança predial, restrições à liberdade de associação e direitos trabalhistas em nossos principais países fornecedores. Continuaremos a trabalhar em parceria com outras organizações importantes e com a sociedade civil para promover mudanças em toda a indústria.

Compromisso entre o trabalhador e o fornecedor

Proteção dos mais vulneráveis

Nossos quatro maiores problemas trabalhistas

Ao longo de vários anos, temos identificado quatro desafios prioritários que afetam significativamente as condições de trabalho na nossa rede de fornecimento. Essas questões são complexas e geralmente inter-relacionadas com os contextos únicos dos diversos países dos quais obtemos os nossos produtos. Por causa disso são necessários tempo, ação coletiva, influência e parcerias para fazermos mudanças sustentáveis.

Desde o ano passado, o nosso foco vem sendo capacitação, lidar com questões nas quais as nossas decisões de negócio têm o maior impacto e identificar áreas de convergência com outros parceiros da indústria. Além disso, analisamos cuidadosamente nossas práticas de compra e identificamos as áreas nas quais podemos ter um melhor desempenho em relação a nossos fornecedores. Os principais desafios a seguir não estão em uma ordem de importância específica.

Desafio 1 - Jornada de trabalho e remuneração
Desafio 2 - Segurança predial e combate a incêndio
Desafio 3 - Liberdade de associação
Desafio 4 - Produção não revelada

Desafio 1 - Jornada de trabalho e remuneração

Trabalhando para viver

Para trabalhadores do setor de vestuário em mercados como Bangladesh, uma longa semana de trabalho pode ser considerada normal. Reconhecemos os vários fatores que podem causar isso e estamos trabalhando para mudar as práticas de forma a garantir que nenhum trabalhador tenha uma jornada de mais do que 60 horas por semana. Nosso Código de Conduta para o Fornecimento de Mercadoria estipula que a jornada de trabalho não pode ultrapassar 60 horas em qualquer período de sete dias, exceto em circunstâncias verdadeiramente excepcionais e imprevisíveis. Além disso, os trabalhadores precisam ser remunerados de forma justa por seu trabalho árduo.

Por meio de treinamento de fornecedores e auditorias regulares, nossos parceiros fornecedores estão cientes da exigência de cumprimento de leis nacionais, Principais Convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT), acordos coletivos e os aspectos do Código Base da ETI que lidam com o máximo de horas trabalhadas, pagamento de horas extras e dias de folga. Eles também estão cientes da necessidade de remunerar os trabalhadores por horas extras dentro do prazo devido. Para a manutenção de um ambiente de trabalho seguro e confortável, os trabalhadores também devem ter permissão para fazer intervalos, ter pelo menos um dia de folga a cada período de sete dias e ter direito aos feriados oficiais. Para detectar e abordar o possível descumprimento desses requisitos, nossas equipes de auditoria e Desenvolvimento de Fornecedores avaliam, monitoram e ajudam a mitigar consequências não intencionais.

Leia mais sobre como classificamos nossos fornecedores

Desafios

Por meio de nossas experiências, reconhecemos que nossas práticas de compras e aquisições podem afetar a forma como nossos fornecedores planejam a produção e podem exercer impactos significativos sobre os salários e as horas de trabalho. Alterações de última hora no desenho, produção ou prazos de entrega podem, inadvertidamente, exacerbar esse problema. Além disso, também sentimos que os fornecedores podem não planejar adequadamente a produção, levando, entre outras coisas, a desafios nos níveis de pessoal para entregar os pedidos no prazo. Outros fatores, como trabalhadores que precisam obter remuneração adicional para sustentar suas famílias e situações nas quais a gerência da fábrica pode intencionalmente distorcer as horas de trabalho reais para evitar os impactos nos negócios, tornam esse assunto específico muito desafiador. Por último, as leis salariais geralmente não são aplicadas pelos governos locais, exigindo que as marcas façam a maior parte da verificação.

Exigimos há muitos anos que nossos fornecedores e suas fábricas façam a remuneração dos funcionários pagando salários que atendam ou ultrapassem os padrões legais mínimos e/ou padrões de referência do setor, o que for maior. Mesmo assim, ainda é comum encontrar situações nas quais o valor adicional por horas extras não são pagos. Em alguns casos, os trabalhadores são remunerados por produtividade (o número de peças produzidas) em vez de serem pagos por hora com um valor adicional.

Como estamos respondendo?

Muitos trabalhadores querem ou precisam maximizar seus salários, portanto, a redução na jornada de trabalho só pode beneficiá-los se os salários aumentarem. Por essa razão, iniciamos uma jornada para identificar e superar as barreiras a essas tensões por meio de uma abordagem multi setorial com outras marcas, a Fundação ACT e nossos próprios projetos-piloto.
 

Acompanhamento preciso e remuneração adequada

A transparência nas práticas de trabalho é de extrema importância pois nos permite monitorar o desempenho em toda a nossa rede de fornecimento. Nos últimos três anos, enfatizamos a necessidade de transparência com nossos fornecedores e suas unidades de produção. Por exemplo, os fornecedores devem usar sistemas confiáveis de registro de horas, nos quais todas as horas regulares, horas extras e intervalos sejam acompanhados com precisão. Nossos Desenvolvedores de Fornecedores da área de Rede de Fornecimento Sustentável (SSC) auxiliam a administração das fábricas a entenderem esses requisitos e trabalham com elas para garantir que seus registros sejam precisos.
 

Assegurando pagamento e treinamento adequados

Sempre que um pagamento por peça é usado, os fornecedores deverão demonstrar que os pagamentos são pelo menos equivalentes ao salário mínimo ou que a convenção coletiva está em vigor. Isso é apoiado por uma política salarial e de remuneração oficial, comunicada aos trabalhadores por meio de manuais, quadros de avisos, cartas, reuniões regulares ou outros meios. As fábricas também deverão fornecer treinamento para todos os funcionários e trabalhadores terceirizados.

Essas medidas aumentam a transparência e conferem mais poderes aos trabalhadores, e nos ajudam a identificar os problemas mais facilmente.

Leia mais sobre nosso Programa de Monitoramento Participativo (SOP)
 

Redução de jornadas de trabalho excessivas

Em 2017, lançamos um projeto piloto para entender as etapas necessárias para desenvolver uma abordagem sustentável e escalonável para reduzir jornadas de trabalho excessivas, mas mantendo salários decentes para os trabalhadores. Durante um período de 12 meses, o projeto piloto foi implementado em seis fornecedores estratégicos da C&A em Bangladesh e na China.

O projeto aborda as duas causas principais das jornadas de trabalho excessivas: o departamento de Recursos Humanos e a gestão de produção do fornecedor, e as práticas de compra da marca. Foi pedido aos fornecedores que analisassem as práticas implementadas nas suas fábricas que pudessem causar jornadas de trabalho excessivas. Além disso, a C&A usou o questionário de práticas de compra do acordo ACT para entender como nossas compras poderiam agravar o problema. Esses pontos foram discutidos abertamente pelo fornecedor e pela equipe da C&A, que analisaram as causas raízes das jornadas de trabalho excessivas e as possíveis maneiras de abordá-las.

Até o momento, os resultados mostram que todas, exceto uma das fábricas que participam do projeto piloto em Bangladesh, apresentaram uma redução significativa nas jornadas de trabalho e mantiveram essa conquista por sete meses. Na China, a fábrica que participa do projeto piloto levou mais tempo para reduzir a jornada de trabalho excessiva, mas conseguiu isso gradualmente e manteve a queda por três meses.

Para o fornecedor, uma questão essencial é a mentalidade da administração, que muitas vezes vê a jornada de trabalho excessiva como parte integrante do negócio. Para nós, aumentar a conscientização internamente é fundamental, já que muitas funções – incluindo sourcing, compras e design – podem impactar as jornadas de trabalho e outros desafios relacionados.

Estudo de caso

Rumo a assegurar salários de subsistência aos trabalhadores

O acordo de Ação, Colaboração, Transformação (Action, Collaboration, Transformation - ACT) é composto por 17 marcas internacionais e pela IndustriALL Global Union. Seus membros estão vinculados por um objetivo comum: assegurar salários de subsistência para trabalhadores do setor de vestuário e têxtil, através de acordos coletivos em toda a indústria nos países de abastecimento mais importantes. Como membro fundador, a C&A faz parte do ACT desde a sua criação.

Os membros do ACT reconhecem que nenhuma solução sustentável é possível sem uma estreita colaboração com fabricantes, organizações de empregadores, sindicatos e governos nos países produtores de vestuário. Em uma economia globalizada, as soluções nacionais não podem ser separadas do papel de redes de fornecimento internacionais. Juntos, estamos abordando três elementos que podem ter um efeito positivo sobre os resultados das fábricas:

  • Criação de programas para negociações coletivas em todo o setor - que pode aumentar a participação dos trabalhadores e permitir que tenham voz ativa para influenciar práticas e condições.
  • Elaboração de práticas responsáveis de compras para o setor de vestuário e têxtil - o que pode levar a um melhor planejamento e antecipação dos problemas que podem resultar em jornadas de trabalho excessivas e falta de pagamento de salários.
  • Engajamento ativo dos governos dos países nas discussões - para apoiar os processos de defesa do tema e da revisão salarial nacional.

Em 2017, o acordo ACT realizou uma autoavaliação de todo o setor sobre as práticas de compra de cada membro, com base no caminho crítico de compra. A C&A participou ativamente da criação dessa ferramenta e analisou todas as etapas do seu processo de compra: desde o projeto e desenvolvimento do produto até a produção e entrega. Identificamos oito áreas principais para melhoria em nossas práticas de compras. Os resultados dessa avaliação também foram usados ​​em nosso projeto piloto de redução de jornadas de trabalho excessivas. Estamos trabalhando com as outras marcas do acordo ACT a fim de criar ferramentas e know-how para melhorar coletivamente nossas práticas de compra. Nossa meta é impulsionar um processo de compras eficiente, levando em consideração o ambiente desafiador onde atuam nossos fornecedores.

Nosso progresso em 2017 foi fundamental para as bases introduzidas em três dos países-piloto para a criação de um mecanismo de negociação coletiva em todo o setor. Fomos participantes-chave nas duas missões do ACT no Camboja e na Turquia, onde nos unimos a outras marcas e à IndustriALL para conhecer os principais stakeholders locais (sindicatos locais, proprietários de fábricas e ministérios cambojanos) e impulsionar mudanças positivas no desenvolvimento de um processo de negociação coletiva de longa duração no país.

Em março de 2018, a C&A sediou a consulta do país, realizada pelo ACT, em nossos escritórios de Yangon, em Myanmar. Nossas reuniões iniciais e a proposta de abordagem do ACT sobre o mecanismo de fixação de salários foram bem recebidas pelos ministérios, sindicatos e fornecedores. Como não queremos perder força, retornaremos a Myanmar no final de 2018 para manter o nosso compromisso e trabalhar em prol de salários dignos para a indústria têxtil.

Desafio 2: Segurança Predial e Combate a Incêndio

Capacitação em segurança elétrica, predial e de combate a incêndio

A falta de precauções de segurança contra incêndio nas unidades de produção de roupas custou a vida de milhares de pessoas em Bangladesh. A existência de um ambiente de trabalho saudável e seguro é um direito fundamental de todos os trabalhadores. O nosso Código de Conduta para o Fornecimento de Mercadorias prevê exigências rígidas para construção de edifícios, proteção contra incêndio e prontidão para emergências. A Aprendemos muito com a implementação do Acordo de Bangladesh sobre Segurança Predial e Combate a Incêndio, visando a manutenção da condição de marca líder na remediação de questões de segurança predial e combate a incêndio em Bangladesh. Todas nossas fábricas e todos os países fornecedores em todo o mundo estão sujeitos a requisitos rigorosos.

Desafios

Lacunas significativas na formação educacional e conhecimento especializado

Segurança predial e combate a incêndio são tópicos complexos com aspectos técnicos e de engenharia que estão além do conhecimento interno de uma fábrica de roupas. É necessário treinamento prático avançado e/ou formação em engenharia para avaliar essas questões no nível da fábrica. Muitos dos países fornecedores não contam com talentos competentes para dar suporte no desenvolvimento do plano de identificação e remediação, o que exige a contratação de consultores de alto custo para a prestação desse serviço.

Ademais, as questões de segurança predial e combate a incêndio exigem processos robustos do governo local que garantam a obediência às legislações nacionais referentes à construção, combate a incêndio e eletricidade. Fazer com que muitos de nossos fornecedores obedecessem aos padrões exigiu a formação de parcerias, levando a ações significativas nas fábricas, tais como educação e requalificação da força de trabalho, além da reforma de locais com materiais resistentes ao fogo. Essas atualizações são normalmente caras ou requerem tempo e recursos significativos para serem obtidas.

Como estamos respondendo

Suporte aos nossos fornecedores

Normalizar um alto padrão de segurança contra incêndio exige um esforço significativo tanto de nossa parte quanto dos nossos fornecedores. Trabalhamos com eles para entendermos as implicações das novas exigências e prestar-lhes apoio conforme eles implementam as melhorias necessárias. Com a nossa contribuição, as fábricas podem ter acesso às ferramentas e habilidades necessárias para implementarem sistemas de gestão e programas de segurança predial, elétrica e combate a incêndio. Também avaliamos a capacidade de implementação de mudanças dessas fábricas do ponto de vista de recursos ou de capital.

 

Auditoria

Nosso Código de Conduta para o Fornecimento de Mercadoria foi atualizado em 2015 para incluir exigências complementares mais amplas de segurança predial e combate a incêndio em toda a nossa rede de fornecimento. Em 2017 e início de 2018, trabalhamos com uma consultoria para revisar mais uma vez nossos requisitos de segurança predial e combate a incêndio, garantindo a conformidade com a legislação local e os padrões do setor. Inspecionamos todas as nossas fábricas e exigimos que elas tenham documentação legal válida para todos seus edifícios, incluindo dormitórios, refeitórios e armazéns. A documentação legal é verificada e os edifícios passam por inspeções de segurança regulares para garantir que as melhorias sejam implementadas de acordo com a legislação local. Como esta é uma tarefa contínua, continuaremos a ajustar processos e exigências para garantir que todas as unidades de produção estejam funcionando como locais de trabalho seguros.
 

Documentação legal

Os fornecedores da C&A são obrigados a contratar seguros adequados que cubram os trabalhadores contra quaisquer lesões, acidentes ou morte. Essa exigência é aplicável a todo o trabalho realizado no local e deve também, quando estipulado por lei, incluir empreiteiros e trabalhadores temporários, bem como trabalhadores em regime de meio período.

Estudo de caso

Melhorando a segurança predial e o combate a incêndio em Bangladesh

Faz cinco anos que o Rana Plaza desmoronou em Bangladesh, levando à morte de mais de 1.100 trabalhadores da indústria de vestuário.

A C&A foi uma das 220 marcas, sindicatos internacionais e órgãos da sociedade civil a firmar o Acordo sobre Segurança Predial e Combate a Incêndio em Bangladesh em resposta ao desastre. O Acordo é um contrato legalmente vinculativo e independente, elaborado para criar uma indústria saudável e segura de roupas prontas para uso em Bangladesh. O Acordo visa criar um ambiente de trabalho no qual nenhum trabalhador precise temer incêndios, desmoronamentos de prédios ou outros acidentes que poderiam ser prevenidos por medidas de saúde e segurança, bem como assegurar o direito de recusar trabalhos que não sejam seguros.  

Todas as 145 fábricas de corte e costura de fornecedores da C&A em Bangladesh foram inspecionadas e planos de ação corretiva (CAPs) foram criados para cada uma delas. Para apoiar os aspectos complexos e altamente técnicos das ações corretivas e de reparação, criamos uma equipe tecnicamente especializada em Bangladesh. Além disso, organizamos sessões de treinamento para que os engenheiros que fazem parte do Acordo possam compartilhar seus conhecimentos com os fornecedores.

Até o momento, 92% dos problemas identificados nas operações da C&A foram corrigidos, em comparação a 86% em 2016, e os demais CAPs estão em processo de correção1 (devido ao acréscimo de várias novas unidades de produção à nossa lista de fornecedores em 2017). Os planos de reparação dos CAPS em processo de correção estão em um estágio anterior ao dos demais fornecedores.

1Os dados oficiais do Acordo podem variar, pois as marcas precisam verificar as ações corretivas para que seus números alcancem gradativamente os nossos.

Leia mais no site do Acordo

Acordo 2.0

O Acordo de Bangladesh já está em vigor há quase cinco anos. A C&A foi reconhecida como uma das marcas que se esforçou muito para que dessa iniciativa fosse bem sucedida, e faz parte de seu comitê diretor desde o início. Entre fevereiro e junho de 2017, fomos uma das seis organizações selecionadas para ajudar a definir como o acordo deve ser prorrogado após seu aniversário de cinco anos.

Juntos, concordamos que o Acordo fez um grande progresso na conscientização sobre importantes medidas de segurança, empoderamento e envolvimento dos trabalhadores, além de impulsionar mudanças reais na segurança predial e combate a incêndio na indústria de vestuário em Bangladesh. Após negociações produtivas entre os representantes das marcas, a IndustriALL Global Union e os stakeholders locais, foi decidido que o Acordo será prorrogado por mais três anos até maio de 2021, com alguns complementos importantes:

  • Fortalecimento do compromisso das marcas com a liberdade de associação com base nas Convenções Fundamentais da OIT.
  • Ampliação do escopo para incluir unidades de produção de nível 2 (como impressão e lavanderias) além de fábricas de corte e costura.
  • Uma descrição clara de quando e como o trabalho do Acordo será entregue ao governo de Bangladesh.

O Acordo renovado foi assinado em junho de 2017 no Fórum Global sobre Negócios Responsáveis da OCDE, com a C&A representando a comunidade de marcas. O novo Acordo é importante para nós porque prorroga por mais três anos as inspeções de segurança realizadas por especialistas independentes, garantindo que as melhorias de segurança alcançadas no primeiro Acordo sejam mantidas e que quaisquer novos resultados em qualquer fábrica sejam abordados.

Leia mais sobre o Acordo de Bangladesh 2.0 aqui
 

Suporte adicional às vítimas do incêndio de Tazreen

Continuamos profundamente entristecidos pela perda de vidas e pelos ferimentos causados pelo trágico incêndio em novembro de 2012 na Tazreen Fashion em Bangladesh, fábrica fornecedora da C&A Brasil. Após o incêndio, a C&A Foundation prestou suporte financeiro imediato às famílias das 112 pessoas mortas e criou um fundo para prestar suporte contínuo aos 49 dependentes adultos.

Trabalhando com a Caritas Bangladesh, a C&A Foundation também criou um programa de reabilitação para ajudar os sobreviventes a encontrarem um novo caminho para suas vidas. A C&A Foundation continua a contribuir para o Fundo para Cuidados Médicos dos Trabalhadores Feridos (TIWMC), que apoiou 172 trabalhadores feridos no incêndio de Tazreen, além de realizar dois acampamentos para atendimento médico em 2017. O tratamento médico continua para 120 trabalhadores.

A C&A Foundation também apoiou o Tazreen Claims Administration Trust (TCA) com a Clean Clothes Campaign e a IndustriALL Global Union em 2015, para ajudar os sobreviventes e as famílias das vítimas a ter acesso adequado à indenização. O TCA concluiu o seu trabalho em 2016, pagando todas as indenizações às vítimas do incêndio. Um total de aproximadamente US$ 2,17 milhões foi pago a todas as famílias impactadas e aos trabalhadores feridos no incêndio.

Leia mais sobre os resultados do TCA aqui

Liberdade de associação

Viabilizando a organização do trabalhador e a negociação coletiva

A liberdade de associação e a negociação coletiva são fundamentais para melhorar as condições de trabalho em toda a rede de fornecimento de roupas e nos nossos países fornecedores. A liberdade de associação continua a ser um foco importante da nossa estratégia de amplificar a voz dos trabalhadores, encorajar um diálogo com a administração e aumentar o desempenho das fábricas dos nossos fornecedores em geral.

Desafios

Superando restrições legais

Alguns países, como a China, restringem a negociação coletiva por lei. Nesses casos, esperamos que os nossos fornecedores ajudem os trabalhadores a estabelecer formas alternativas de negociação e representação trabalhista. Também esperamos que os nossos fornecedores estabeleçam, implementem e comuniquem um mecanismo de reclamações que seja aceitável, previsível, equitativo, transparente, que assegure os direitos, que seja confidencial e fundamentado em compromisso e diálogo para resolverem conflitos internos e reclamações dos trabalhadores. A liberdade de associação é testada como parte do nosso processo de auditoria e violações são consideradas uma inobservância grave de nosso Código de Conduta para o Fornecimento de Mercadorias. Também é um aspecto fundamental de nossas linhas diretas de conformidade do Fairness Channel, implementadas com o apoio do software de gerenciamento de incidentes Ethicspoint.
 

Incidentes

Em 2017, detectamos dez casos em que a liberdade de associação não foi respeitada na nossa rede de fornecimento. Desses casos, quatro foram registrados no Camboja, dois em Myanmar, dois na Turquia, um em Bangladesh e um na Índia. Para remediar esses incidentes, nossas equipes locais de Sourcing e Rede de Fornecimento Sustentável (SSC), com o apoio da equipe global de Sustentabilidade e das equipes de Sourcing trabalharam junto aos nossos fornecedores, representantes dos trabalhadores e sindicatos de comércio internacionais para tratar essas questões individualmente. Seis dos casos foram resolvidos à satisfação mútua dos trabalhadores, da administração e dos sindicatos dos trabalhadores. Quatro casos ainda permaneciam em processo de reparação no momento da publicação deste documento (junho de 2017).


Como estamos respondendo

Resolução justa

Quando problemas de liberdade de associação são descobertos por meio de auditoria, alegações de sindicatos, greves ou através do Canal Aberto de denúncias, tomamos medidas decisivas para trabalharmos com os grupos apropriados com o intuito de resolvermos o problema, assegurarmos tratamento justo aos trabalhadores e implementarmos as medidas de segurança necessárias para evitarmos sua reincidência. Quando necessário, daremos apoio à readmissão de trabalhadores demitidos injustamente e solicitaremos indenização ou suporte.

Leia mais sobre os nossos valores e sobre o Canal Aberto

Estudo de caso

Combate ao trabalho infantil nas redes de fornecimento de roupas bordadas

Em 2017, a C&A Foundation e a C&A continuaram a jornada de erradicação da violação aos direitos humanos e trabalhistas na rede de fornecimento do vestuário bordado. Peças de roupas bordadas à mão são uma das principais contribuições da Índia para o mercado de roupas global. Os trabalhadores em geral exercem as suas atividades em casa, o que dificulta o monitoramento das suas condições de trabalho. O trabalho em domicílio é permitido na nossa rede de fornecimento apenas se os fornecedores seguirem as Diretrizes da C&A para o Uso de Trabalhadores em Domicílio, que são adaptadas às diretrizes das Iniciativas Conjuntas de Comércio Ético (Ethical Trading Initiative).

A ONG GoodWeave imagina um mundo no qual todas as crianças vão à escola e não ao trabalho e no qual os adultos têm direitos, dignidade e oportunidades no local de trabalho. Ela tem sido extremamente eficaz: o trabalho infantil na indústria tapeceira do Sul da Ásia caiu aproximadamente 80% desde que a ONG começou a operar na região. A eficiência do seu trabalho fundamenta-se na implementação bem sucedida de um sistema de rastreamento, que monitora a norma e melhora a infraestrutura social nas comunidades de trabalhadores em domicílio.

Em 2016, comissionamos um projeto piloto de dois anos com a GoodWeave em Uttar Pradesh, na Índia. A meta consiste em encontrar uma abordagem para a indústria de roupas tão bem-sucedida quanto o modelo da indústria tapeceira, que dará apoio educacional àqueles que forem muito novos para trabalhar e assegurará que todos os adultos estejam trabalhando em condições justas e seguras.

O projeto piloto atual é aplicado a três produtores de roupas em cinco comunidades, dando apoio a 7.500 trabalhadores em domicílio e 6.000 crianças dentro e fora das redes de fornecimento da C&A. Os programas da Child Friendly Community (CFC), que asseguram que as crianças estejam matriculadas em escolas, agora estão estabelecidos em três comunidades do projeto na Índia: Kanwara, Tilbegumpur e Jaee. Quando isso não é possível, as crianças são matriculadas em escolas-ponte informais, conhecidas como Motivation and Learning Centres (Centros de Aprendizado e Motivação, ou MLCs), que as ajudam a alcançar o padrão de que precisam e, consequentemente, se matricularem em escolas do governo ou privadas. Em janeiro de 2017, 750 crianças frequentavam os Centros de Aprendizado e Motivação e 243 crianças estavam matriculadas na escola.

O projeto piloto já está evidenciando as dificuldades econômicas enfrentadas pelos trabalhadores em domicílio; entretanto, assegurar o acesso a todas as nossas redes de fornecimento continua a ser um grande desafio. Os fornecedores estão mais comprometidos e o mapeamento obtém mais sucesso quando as diversas marcas se unem para encorajar a participação e a transparência – uma conclusão semelhante ao trabalho da GoodWeave na indústria tapeceira. A GoodWeave convidou outros produtores de roupas e outras ONGs para participarem e está discutindo o assunto com várias marcas.

Leia mais sobre esse projeto no site da C&A Foundation

Defendendo a representação dos trabalhadores

O nosso Código de Conduta para o Fornecimento de Mercadorias requer que os nossos fornecedores adotem uma atitude colaborativa e aberta com relação à representação de trabalhadores, permitam a criação ou participação em sindicatos de sua própria escolha e a negociação coletiva. Em 2016 e 2017, duas fábricas de nossos fornecedores em Bangladesh participaram de um programa piloto de diálogo social organizado pelas Iniciativas Conjuntas de Comércio Ético (Joint Ethical Trade Initiatives) da Dinamarca, Reino Unido e Noruega. O programa visa desenvolver melhores relações industriais dentro do setor de vestuário e têxteis de Bangladesh, promovendo a expressão livre e justa das vozes dos trabalhadores.

Leia mais sobre o programa de diálogo social em Bangladesh
 

Além disso, estamos participando da Iniciativa ACT, desempenha um papel fundamental para assegurar salários dignos nos países fornecedores por meio da criação de processos de negociação coletiva na indústria nacional, cujo compromisso fundamental é a liberdade de associação.

Leia mais sobre nosso envolvimento na iniciativa ACT
 

Empoderando os trabalhadores

Os trabalhadores e a administração têm mais chances de apoiar coletivamente um ambiente de trabalho saudável quando há boa comunicação entre eles. Os trabalhadores precisam conhecer os seus direitos e responsabilidades e ter canais pelos quais possam apresentar as suas preocupações. A C&A está comprometida em ajudar os nossos fornecedores a oferecer aos trabalhadores meios eficientes e seguros para eles apresentarem suas preocupações e reclamações. Durante a última década, os nossos canais de denúncias têm nos ajudado a identificar problemas que surgem em nossos escritórios, lojas ou rede de fornecimento. O nosso objetivo é apoiar a justiça e a transparência na nossa maneira de trabalhar com os nossos funcionários, fornecedores e seus respectivos funcionários.

Leia mais sobre a maneira que empoderamos os trabalhadores

Leia mais sobre os nossos valores
 

Mesas redondas sobre liberdade de associação no Camboja

Os últimos anos foram de inquietação para a indústria de vestuário no Camboja. Os manifestantes tomaram as ruas e entraram em confronto com as forças de segurança, e líderes sindicais foram demitidos porque planejavam organizar greves. Os sindicatos já descreveram repetidas vezes a repressão aos direitos dos trabalhadores por parte da administração das empresas e atividades organizadas contra os sindicatos.

Em 2017, a C&A continuou sua participação ativa com o governo do Camboja, fornecedores e principais stakeholders para abordar nossas preocupações sobre direitos humanos e trabalhistas.

Por meio das Iniciativas Conjuntas de Comércio Ético (ETI), nos comprometemos com outras marcas para expressar nossas preocupações diretamente ao governo. Juntas, deixamos claro que a estabilidade, a previsibilidade e o estado de direito são necessários para um maior crescimento do setor de vestuário na região. Em particular, queremos ver as leis cambojanas respeitando as Convenções Fundamentais da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Também realizamos seis mesas-redondas sobre a questão da liberdade de associação, com foco na construção de relações de trabalho e de gerenciamento saudáveis com representantes da alta administração de mais da metade de nossos fornecedores cambojanos. As outras unidades de produção da C&A participaram de uma segunda série de mesas redondas nos primeiros meses de 2018.

Durante as mesas redondas, enfatizamos que a C&A pretende trabalhar apenas com unidades de produção que cumpram integralmente nosso Código de Conduta para o Fornecimento de Mercadoria. Encorajamos os fornecedores a permitir uma comunicação aberta a fim de resolver litígios de forma amigável e estamos dispostos a apoiá-los com conhecimento técnico em caso de dificuldade para resolver um litígio.

Devido ao rigor das discussões nas mesas redondas, já começaram a ocorrer mudanças na região, dentre outras:

• Aumento do conhecimento do fornecedor sobre a legislação local.
• Maior compreensão do papel dos sindicatos.
• Melhoria dos meios para lidar com conflitos entre representantes da administração e dos trabalhadores.

Desafio 4: Produção não declarada

Evitando a produção não declarada

A produção não declarada ocorre quando a C&A identifica uma unidade de produção que não foi previamente aprovada para produção. Embora não seja detectada com frequência, é uma violação grave, pois não é possível verificar se a fábrica está alinhada ao nosso Código de Conduta para o Fornecimento de Mercadorias e às nossas exigências ambientais e sociais. Exigimos que todas as novas unidades de produção sejam auditadas e atendam às exigências do nosso Código de Conduta para o Fornecimento de Mercadorias antes de aceitarem pedidos.

Desafios

A detecção de produção não declarada requer vigilância contínua devido à complexidade da rede global de fornecimento. Essa é uma das razões para divulgarmos uma lista anual de informações sobre nossas fábricas de fornecedores de nível 1 e 2. Ao sermos transparentes sobre onde os nossos produtos são produzidos, podemos estabelecer um compromisso com os nossos fornecedores de identificar o uso de produção não declarada.

Em 2017, detectamos 10 casos de produção não declarada. Não tivemos casos de trabalho em domicílio não declarado em nossa rede de fornecimento. Por serem graves, o fornecedor ou a fábrica foram punidos em diversas situações. Em todos os 10 casos, foi realizada uma investigação minuciosa e planos de ação corretiva foram implementados com o fornecedor e nossas equipes internas. Três desses casos também levaram à suspensão do relacionamento comercial da C&A com o fornecedor.

Leia mais sobre como classificamos os nossos fornecedores e o nosso compromisso de transparência

Consulte a nossa lista de fornecedores aqui

Como estamos respondendo?

Expectativas claras e consequências graves

Ao identificarmos uma produção não divulgada, as equipes de Rede de Fornecimento Sustentável (SSC), Sourcing e Qualidade avaliam a situação e a unidade de produção. Pelo fato de as circunstâncias por trás dos casos serem, às vezes, complexas, as equipes investigam minuciosamente a situação e as intenções e utilizam um processo sistemático para determinar as consequências.
 

Processo de três medidas

Em 2016, lançamos uma política de três medidas para mitigar o risco de unidades de produção não declarada, sendo uma dessas medidas referente ao trabalho em domicílio. Adicionalmente, se um item de tolerância zero for constatado durante a inspeção, o fornecedor poderá ter seu contrato rescindido ou suspenso por 12 meses, dependendo dos resultados da investigação. Se uma produção não declarada for detectada e a fábrica atender às outras exigências do Código de Conduta para o Fornecimento de Mercadorias e às normas de qualidade, o fornecedor receberá uma advertência na primeira ocorrência, o que pode levar à suspensão do contrato por 12 meses ou à rescisão do contrato após a terceira ocorrência. Em todos os casos, se um item de tolerância zero for detectado na unidade de produção não declarada, o fornecedor terá o seu contrato suspenso por 12 meses.

Para promover a responsabilidade e o entendimento das exigências relativas à subcontratação não declarada, toda a nossa base de fornecimento é informada a esse respeito, e temos diálogos regulares sobre o assunto durante o nosso processo de auditoria.

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