Revisão externa 

A visão da C&A é fazer da moda sustentável o novo normal. Trata-se de uma visão arrojada e ambiciosa, que exigirá que esse importante player no sistema global de vestuário transforme não apenas a si próprio, mas também o sistema real que o rodeia. Um novo normal não resultará de mudança incremental; exigirá uma mudança sistêmica. Em outras palavras, o surgimento de um modelo operacional diferente para o setor de vestuário.

Portanto, de que forma uma empresa, ainda que de grande porte, que opera na Europa, na China, no México e no Brasil, transforma um sistema? Este relatório de sustentabilidade nos fornece muitas pistas e, para mim, indica que a C&A tem total potencial para mudar o sistema de vestuário. Por que acho isso?

Primeiro, a empresa entende que precisa responder às futuras tendências que impactam seus negócios de maneiras diferentes. Quando se trata do impacto das megatendências de longo prazo nos negócios do dia a dia, que, para o setor de vestuário são significativas (e incluem escassez de água, altas temperaturas que exercem pressão sobre a produção têxtil, êxodo rural e outros), a resposta precisa ser adaptação. Esse é o motivo pelo qual a empresa está trabalhando com afinco para reduzir seu consumo de água e sua pegada de carbono, por exemplo, e está investindo de modo pesado para criar redes de fornecimento resilientes, à prova do futuro, particularmente quando se trata de algodão.

Existem, em seguida, as tendências que avançam em ritmo mais rápido e que impactam as operações do dia a dia. E para o setor de varejo e de vestuário mais amplo, essa é uma lista bem longa, com o avanço contínuo da estratégia omnichannel, mudanças nos padrões e preferências de compra, por exemplo, todos exercendo enorme pressão nas operações do dia a dia do sistema de vestuário. A C&A está trabalhando com afinco para responder a essas tendências, com iniciativas como a campanha “WearTheChange”, a sua primeira campanha global de comunicação de sustentabilidade multicanal.

E existem ainda tendências que avançam em ritmo dinâmico e rápido fervilhando no nicho de qualquer sistema e, que, para o setor de vestuário, incluem tecnologias como a cadeia de blocos e abordagens regenerativas à produção agrícola. Essas são inovações que, se exploradas com paixão, oferecem enormes oportunidades para a criação de novos normais. É aqui, quando se trata de economia circular, que o pioneirismo da C&A entra em ação – a empresa é a primeira grande marca de roupas a trazer os primeiros produtos com certificação Cradle-to-Cradle (C2C) nível GOLD para comercialização em lojas na Europa.

O segundo ponto que indica que a C&A leva a sério a criação do novo normal é o seu compromisso com a colaboração. Como a primeira parceira da marca Fashion For Good, por exemplo, a empresa está ajudando a propiciar escala a inovações tecnológicas e socioambientais com potencial para mudar o jogo no setor como um todo. E a empresa possui um relacionamento profundo e produtivo com a C&A Foundation, uma Fundação pioneira que atua em todo o setor de vestuário, enfrentando desafios sistêmicos de forma a criar as condições que capacitem o sistema para a transformação.

O terceiro ponto? Valores e integridade. Este relatório transpira autenticidade, honestidade e uma clara abordagem baseada em valores.

Quando se trata de como todas essas futuras tendências podem interagir, fica claro que existem diferentes futuros possíveis para o setor de vestuário. Existe um possível futuro em que todas as tendências atuais interajam para criar um sistema de vestuário muito mais sustentável, em que tecnologias como a cadeia de blocos sejam exploradas para aumentar a transparência e, portanto, acesso ao capital e outros serviços para pequenos proprietários, em que a agricultura regenerativa adquira escala e vejamos uma produção verdadeiramente sustentável, em que o modelo de varejo e as atitudes dos consumidores mudem e vejamos a substituição da moda rápida por um modelo de ciclo fechado em que a capacidade de reciclagem e reutilização sejam atributos comuns (pense em C2C em qualquer lugar).

Da mesma forma, ainda que cada uma dessas futuras tendências possa ter resultados de sustentabilidade positivos isoladamente, o status quo prevalecente pode significar que esses resultados positivos não se manifestem de maneira sistêmica, e o sistema permaneça inalterado, com impactos negativos bem conhecidos que vemos hoje se expandindo, deixando um sistema que não é sustentável, e talvez nunca seja.

A C&A tem potencial para explorar o dinamismo do sistema no qual ela está inserida, desempenhar um papel-chave na transformação do setor de vestuário, e fazer da moda sustentável o novo normal. Para tanto, será necessário que a empresa considere mais um ponto – criar uma estratégia convincente de longo prazo para embasar sua visão, uma estratégia que seja clara com relação a todas as alavancas que a empresa possa utilizar, atuando sozinha e em colaboração, de forma a fazer da moda sustentável o novo normal.

Por sua vez, a empresa terá de recorrer aos seus 177 anos de tradição e entrar nesse longo jogo. Ser varejista de roupas hoje em dia, com uma grande carteira de lojas de rua, é difícil. É bem possível que haja a tentação de combater os incêndios atuais, à custa de não alimentar as chamas dos jogos de negócio de prazos mais longos. Transformar o setor de vestuário exigirá habilidade para lidar com algumas pressões de curto prazo bem reais, experimentando e errando rapidamente, e a coragem de assumir a convicção de que não é possível ter um negócio sustentável em um sistema não sustentável. Existe uma lógica convincente para criar um sistema de vestuário sustentável. Eu faria um apelo para que a C&A continuasse a abraçar esse desafio.

Sally Uren
CEO, Forum for the Future

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